Ana Bárbara Pedrosa: "Já em criança, os meus pares eram os escritores. Eu sentia que aquela era a minha família artística e social."
Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. "É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas: Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaesperaEugénio de Andrade – PrimeiramenteJorge de Sena – Pandemos Júlio Dinis – Lava OcultaAlmeida Garrett – Adeus
Leituras com Pedro Mexia: Mark Lilla e Paulo José Miranda
No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes.Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70. Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago. Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.
Samuel Úria: "Eu acho que o Cohen é o maior poeta dos músicos e o maior músico dos poetas. "
Recebemos Samuel Úria, o trovador de patilhas, como alguém lhe chamou.Músico, compositor, escritor de canções, com vários discos no curriculum, alguns prémios, como o mais recente Globo de Ouro para melhor canção com 2000 A. D. Tem uma relação precoce com a palavra, primeiro enquanto leitor e escritor de poemas meio às escondidas. Depois, ganhou um prémio literário num concurso da escola, e as coisas passaram a ser diferentes. Conta-nos que ler e escrever foram das grandes descobertas da sua vida, e será também por isso que algumas letras que vem fazendo dialogam com poemas publicados. Escolheu, como costuma acontecer, alguns poemas para servirem de rede à nossa conversa, onde todos os temas são bem vindos, até religião e política. Poemas:O tempo aprazado, Ingeborg Bachmann (tradução de João Barrento)Miguel Duarte – Agora é que o mundo vai conhecer a pesteCarlos Drummond de Andrade – Confissão Alexandre O’ Neill – Um Adeus PortuguêsLeonard Cohen – Take this longing (tradução de Samuel Úria)
Michaela Schmaedel: "Hoje a minha vida gira em torno da poesia. Hoje em dia o que eu mais quero fazer é passar a poesia."
Michaela Schmaedel nasceu e mora em São Paulo, no Brasil. Estudou História na universidade, mas cedo começou a trabalhar como jornalista. Fez um Curso Livre de Preparação de Escritores e várias oficinas de escritas com diversos poetas brasileiros. É poeta, editora de cultura, e organizadora de eventos relacionados com divulgação literária. Tem 3 livros de poesia publicados.
Eduardo Sá: "Se eu mandasse, destacava a poesia da língua portuguesa e fazia uma disciplina obrigatória de poesia ao longo de toda a formação escolar. "
"Eu acho que a primeira função de qualquer ser humano é ser mãe, seja homem ou mulher."Eduardo Sá é psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, em Lisboa. Autor de vários livros e presença regular na imprensa, assina actualmente um programa diário na rádio Observador. Começou cedo a ler, mas também a escrever poesia, de tal modo que quando era adolescente lhe passou pela cabeça deixar de estudar para se dedicar à escrita, porque tinha a intenção de vir a ser poeta. É esse o ponto de partida para esta conversa, que foi gravada ao vivo na livraria Arquivo, em Leiria. A partir de alguns dos poemas de que mais gosta, conversamos sobre o seu percurso e a sua vida, mas também sobre as crianças, os adolescentes e a importância da educação familiar e escolar, e, claro, sobre saúde mental. Poemas:1 - O amor como em casa - Manuel António Pina2 - Perdidamente - Florbela Espanca3 - Tabacaria - Álvaro de Campos 4 - Quase - Mario Sa Carneiro5 - Para o meu coração - Pablo Neruda6 - Manuel Bandeira - O ultimo poema7 - Eugénio de Andrade - É urgente o amor8 - Daniel Faria - As mulheres aspiram a casa para dentrodos pulmões 9 - Não sei se me interessei pelo rapaz - Adília Lopes