P. Paulo Duarte: "As portas da Igreja têm de estar escancaradas para que qualquer pessoa entre. "
Esta semana recebemos o Padre Paulo Duarte, SJ. Nasceu em Portimão, em 1979, e quando era pequeno queria ser médico veterinário. Uma perda significativa na adolescência levou-o a um encontro com a religião, que acabou por lhe decidir o destino. Trabalhou na aviação, antes de entrar na Companhia de Jesus, em 2003. É licenciado em Filosofia e em Teologia, e mestre em Teologia Fundamental. Foi ordenado sacerdote em 2014 e fez a Terceira Provação (etapa final da formação dos jesuítas) entre novembro de 2023 e maio de 2024, no México.É adjunto do diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal desde setembro de 2024.Lançou recentemente um livro de crónicas chamado "De Corpo e Alma, Crónicas para caminhos de encontros humanos e divinos" com edição Apostolado de Oração, que tem um poema diferente em cada capítulo. É também sobre essa relação próxima com a poesia que conversamos no podcast. Poemas: Sophia de Mello Breyner Andresen, Deus Escreve DireitoSophia de Mello Breyner Andresen, Escuto mas não seiMaria Teresa Horta, No início foi a luzRuy Cinatti, AnunciaçãoAlexandre O' Neill, Sob a forma de mãoAdília Lopes, Só gosto de pessoas boasJose Tolentino Mendonça, Nas mãos do oleiroDaniel Faria, Não acredito que cada um tenha um lugarTeresa Salgueiro, Nas ondas do mar
António de Castro Caeiro: "Os sentimentos constituem-se de uma forma subterrânea, clandestina. E nós reagimos a uma presença ausente."
Esta semana recebemos António de Castro Caeiro, filósofo, especialista e professor de Filosofia Antiga, ensaísta, tradutor, e autor de vários livros, o mais recente Sobre os Sentimentos, edição Tinta da China.Neste episódio, gravado ao vivo na Casa do Comum no âmbito do PODES, Festival de Podcasts, damos mais atenção a 4 sentimentos - o Espanto, o Sublime, o Amor e a Esperança - , mas o livro cuida de vários outros como o Desejo, a Ira, a Nostalgia, a Melancolia e a Liberdade. Ao longo da conversa, António conta-nos da sua relação com a poesia e filosofia, de como os sentimentos se relacionam com a filosofia, mas também da proximidade entre filosofia e poesia. Escolheu alguns poemas para nos ajudar nessa reflexão: - Sol da Tarde, Kavafis (A par1r da versão inglesa de Lawrence Durrell)- Na noite clara da tua morte Pai, Miguel Martins - SALMO, Georg Trakl, dedicado a Karl Kraus- A esperança, Emily Dickinson (versão de Vasco Gato)
Ana Bárbara Pedrosa: "Já em criança, os meus pares eram os escritores. Eu sentia que aquela era a minha família artística e social."
Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. "É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas: Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaesperaEugénio de Andrade – PrimeiramenteJorge de Sena – Pandemos Júlio Dinis – Lava OcultaAlmeida Garrett – Adeus
Leituras com Pedro Mexia: Mark Lilla e Paulo José Miranda
No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes.Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70. Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago. Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.
Samuel Úria: "Eu acho que o Cohen é o maior poeta dos músicos e o maior músico dos poetas. "
Recebemos Samuel Úria, o trovador de patilhas, como alguém lhe chamou.Músico, compositor, escritor de canções, com vários discos no curriculum, alguns prémios, como o mais recente Globo de Ouro para melhor canção com 2000 A. D. Tem uma relação precoce com a palavra, primeiro enquanto leitor e escritor de poemas meio às escondidas. Depois, ganhou um prémio literário num concurso da escola, e as coisas passaram a ser diferentes. Conta-nos que ler e escrever foram das grandes descobertas da sua vida, e será também por isso que algumas letras que vem fazendo dialogam com poemas publicados. Escolheu, como costuma acontecer, alguns poemas para servirem de rede à nossa conversa, onde todos os temas são bem vindos, até religião e política. Poemas:O tempo aprazado, Ingeborg Bachmann (tradução de João Barrento)Miguel Duarte – Agora é que o mundo vai conhecer a pesteCarlos Drummond de Andrade – Confissão Alexandre O’ Neill – Um Adeus PortuguêsLeonard Cohen – Take this longing (tradução de Samuel Úria)